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Especial: Salão Internacional de Milão

09 de November de 2007

Arthur Caldeira (enviado especial)

Em Milão, assim como em toda a Itália, scooters e motos de diversas cilindradas povoam as ruas. O italiano é um povo apaixonado por motocicletas. Durante o período do Salão Internacional de Motocicletas, essa paixão então fica a flor da pele.

Tanto que a 65ª edição do EICMA (Esposizione Internazionale del Ciclo e Motociclo), que começou na terça-feira termina neste domingo, consagrou o evento como o maior do mundo.

Em uma área de 400.000 m², cerca de 2.000 marcas de 45 diferentes países mostraram suas novidades para um público de mais de meio milhão de pessoas — foi esse o número de visitantes da edição de 2006 do evento que a organização espera superar este ano.

Aproveitando esse público apaixonado por motos, as fábricas não economizaram nos lançamentos. A Ducati, em casa e feliz da vida com a conquista do título mundial de MotoGP, mostrou três novos modelos: a superesportiva 848, que vai substituir o motor e o design ultrapassado da 749; a superesportiva 1098 R, que vai disputar o Campeonato Mundial de Superbike em 2008; e a nova Monster, a naked que é um dos modelos mais vendidos da marca.

Aliás, a Monster ganhou um desenho mais atual, com um farol excêntrico e subquadro em alumínio. Recebeu também um propulsor maior, agora de 696cc e 80 cv — antes eram 695cc e 73 cv. Foi, sem dúvida, uma das vedetes do Salão.

Outra marca italiana que fez sucesso foi a Aprilia. Mostrou a Dorsoduro, uma enorme e bela supermotard com motor de 750cc. Apresentou também uma moto-conceito inovadora. Trata-se da FV2, que usa um inédito motor V2 de 1200cc, e tem quadro em fibra de carbono. Além de uma suspensão dianteira sem garfo, usando o sistema de paralelogramo.

Já na Moto Guzzi, o destaque era para a Stelvio, a primeira big-trail da tradicional marca. Usa um novo motor de dois cilindros em “V”, posicionado transversalmente, de 1200cc e quatro válvulas por cilindro.

Honda de olho no futuro

A Honda também mereceu destaque no Salão de Milão. De olho no mercado italiano e no futuro, a montadora japonesa apresentou quatro novos modelos. Dois scooters: o Forza de 250cc e o Lead de 100cc. Mas as grandes novidades ficaram por conta das motos.

Primeiro a CB 1000R, uma naked que vai substituir a Hornet 900. Com visual arrasador, a CB 1000R usa o motor de quatro cilindros em linha da antiga CBR 1000RR FireBlade.

Mas o olho no futuro está na DN-01, a primeira de uma geração de novas motos, segundo a Honda. Mostrada como conceito no Salão de Tóquio de 2005, a DN-01 agora passa a ser produzida em série.

O destaque dessa “sport-cruiser” é seu câmbio automático seqüencial. No manete esquerdo não há embreagem. Mas não se engane, pois o moderno sistema de câmbio é diferente dos usados nos scooter e promete aproveitar toda a força do motor V2 de 700cc.

Mais big-trails BMW

A alemã BMW escolheu a Itália para lançar cinco novos modelos. Não à toa. A marca detém 24% do mercado italiano para motos acima de 750cc. Para começar, renovou as R 1200GS e 1200GS Adventure que, além de novo visual, ganharam o sistema de suspensão eletrônica (ESA), já usado na K 1200S, que é vendida no Brasil.

No mesmo segmento de uso misto, veio a F 800GS. Versão da R 1200GS, mas com o motor de dois cilindros paralelos e 798 cm³. Outra que foi renovada foi a F 650GS. Ela deixou de usar o motor monocilíndrico e também passou a usar o bicilíndrico paralelo de 798 cm³. Segundo a marca, a F 650GS tem suspensões de curso menor e proposta menos aventureira. Só não deu para entender porque manter o nome 650.
 
A última novidade da fábrica de Munique foi o lançamento da G 450X, que havia sido usada como protótipo em algumas etapas do Campeonato Mundial de Enduro e agora vai ser vendida para competição.

KTM on-road

Enquanto a BMW investiu no off-road, a austríaca KTM decidiu ir para o asfalto. A marca laranja finalmente lançou a RC 8, como motor de 1190cc em dois cilindros em V.

A identidade KTM de dois faróis sobrepostos ficou um pouco estranha na superesportiva. Mas o motor, com cerca de 155 cv, promete um bom desempenho. Outra estrela do estande da fábrica austríaca foi a nova geração da Duke 690.

Japonesas

Kawasaki, Suzuki e Yamaha não reservaram nenhum lançamento mundial para o Salão de Milão. Entretanto, isso não fez com que os estandes das marcas japonesas ficassem vazios.

Na Kawasaki, todos queriam ver de perto a nova Ninja ZX-10R. Com linhas mais angulosas e escapamento curto no centro da moto, atraiu os olhares dos italianos. Sem falar na naked Z-750, como novo motor e design.

Na Suzuki, as estrelas eram mesmo as esportivas. Toda a família GSX-R estava lá: a nova 1000 com um escape de pista, a recém-lançada 750cc e a reformulada 600cc. Chamou a atenção também a nova linha de scooters Sixteen, afinal esse tipo de veículo é a opção de transporte de muitos italianos.
 
No estande da Yamaha, a esportiva R6, lançada em outubro em Paris, também fez sucesso. Mas não mais que a nova XT660Z Ténéré, a nova geração da mítica trail. Equipada com o motor da XT 660R, ela traz outra ciclística: além de suspensões maiores, disco de freio duplo na dianteira. Todos queriam subir na moto para ver sua ergonomia. Difícil encontrar a nova Ténéré “desocupada” no Salão de Milão. Outra atração foi o visual novo do scooter T Max.

Scooters italianos

E como uma genuína feira italiana, não podiam faltar scooters da “Vecchia Bota”. Um dos estandes mais bonitos e visitados era o da Piaggio, detentora das marcas Vespa e Gilera.

Com a marca Piaggio, chegou a nova linha X 7, como motor de 150 e 200cc. Já a Gilera mostrou o scooter esportivo GP800. Além de dezenas de outros que fazem a cabeça dos italianos, esse povo festeiro e apaixonado pelos veículos de duas rodas.  Sejam scooters 50cc dois tempos, ou esportivas de quatro cilindros em linha.

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